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É como se por alguns minutos eu tenha deixado de ser humana. E então me pergunto se o ser humano realmente é ser assim?
É como se de repente tudo tenha se tornado vazio e oco como sempre o foi e eu nunca quis perceber.
Na verdade eu sou assim, egoísta o bastante para camuflar e recriar uma vida que não é a minha, repleta de conquistas e sentimentos hipocritamente singelos, tão diferentes da avareza de idéias doentias e antropocentristas que me entrelaçam desde a concepção.
Não sinto, não sinto nada neste momento, nem mesmo autopiedade, e isso, me irrita de tal forma que tenho um enjoo de minha própria consciência, pois isso não é semtinmento embora por muitas vezes essa sensação fosse sentida com o lirismo daqueles sentimentos que achava sentir e agora cheguei a conclusão de que não sei o que são, nunca os vivi e talvez nunca os viverei.
A perspectiva de os viver me condiciona a espasmos de fantasia que de forma tão clara se rompe da maneira costumeira: vazia e oca.
Não tem nada dentro de mim, nada, nem mesmo a certeza de existir e ser.
Ser consciente, ser otimista, ser decidida, ser , ser e ser tanta coisas, quando na verdade agora sozinha em meus pensamentos e nessa falta de algo que não sei o que é, dentro desse oco que invade meu peito, não que ser o que fui e nem memso o que sou, pois talvez seja isso que dá esse nojo, essa inquietude, essa fúria do barulho do mundo, do olhar das pessoa, do cheiro do carro, dos lugares que passo e dessa sensação.
Não sou, não fui, não sinto nenhum sentimento, até o nojo é físico e não é um sentimento, pois se o fosse seria algo que eu saberia e não estaria me incomodando, pelo contrário seri mais um motivo para ser egoísta e cheia de bons sentimentos por mim e pelo mundo.
Penso que é uma despedida e que forma dura de me despedir, não foi possível sequer rezar, pois é necessário ter-se sentimentos para que a oração não seja em vão, aliás tanto não tenho sentimentos que agora só penso e o corpo reage a estímulos que não são sentimentos, é algo consciente que esse universo grita na minha vida vida por alguns minutos e repete.
Texto escrito as 19h40 do dia 16/09/2007 na Rodoviária do Tietê.